Polícia Civil de Uberlândia alerta sobre golpe de invasão em WhatsApp

A Polícia Civil de Uberlândia faz um alerta à população sobre um novo golpe de estelionato aplicado por meio do WhatsApp. Os criminosos estão invadindo o aplicativo de vítimas para conversar com amigos e familiares com o objetivo de pedir dinheiro emprestado. Mas, para cometer o crime, os autores utilizam de um código gerado pelo próprio WhatsApp para “furtar” a conta. Durante o processo padrão de ativação do aplicativo, é necessário inserir seis números que são enviados via SMS para o número do telefone que será cadastrado para uso. 

A abordagem e pedidos dos códigos são feitos de várias formas. Os criminosos costumam se passar por vendedores e pedem os números para validar uma compra ou utilizam perfis fakes para falar que enviou a senha para o celular sem querer e pede que a encaminhe de volta.

Segundo o delegado-regional Luciano Alves dos Santos, muitos crimes envolvendo o aplicativo já foram contabilizados na unidade. Na maioria das vezes as vítimas são idosos, mas pessoas de diversas idades já deram queixa da situação.

Uma professora de idiomas de 40 anos, que não quis se identificar, foi alvo do crime na última sexta-feira (3). Ela teve o aplicativo de conversas invadido pelo criminoso que se passou pelo responsável de uma empresa de marketing que fazia serviços para uma confeitaria localizada na zona leste de Uberlândia.

A ação começou quando a professora recebeu uma ligação do autor. O número tinha o código de área utilizado na região de São Paulo, DDD 11. De acordo com a vítima, ela atendeu a chamada, pois tem amigos e parentes no estado.
 “Ele sabia meu nome e parecia muito profissional e educado. Em nenhum momento cheguei a desconfiar do comportamento e das falas. Ele disse que eu tinha ganhado um voucher no valor de R$ 40 para gastar na confeitaria porque eu era uma ótima cliente da loja. Realmente eu frequento o estabelecimento e conheço os proprietários, por isso não desconfiei”.
Durante a conversa, o estelionatário chegou a combinar dia e horário para que a vítima fosse buscar o bilhete na loja de doces. Em seguida, o autor disse que um código iria chegar no celular dela para validar o voucher.

“Os números chegaram e eu passei. Minutos depois ele confirmou que tinha dado certo e disse ‘excelente, um beijo na sua boca’. A partir daí o Whats instalado no meu celular não abria mais e estava bloqueado. Foi quando percebi que era golpe”.

A educadora contou ainda que o marido dela conseguiu fazer o mesmo processo do autor em outro aparelho celular para recuperar o aplicativo. “Após fazer isso, percebemos que ele [o criminoso] tinha acesso somente aos grupos que eu participo e aos números dos participantes. Vimos também que ele já havia conversado com algumas pessoas se passando por mim e pediu dinheiro emprestado”, concluiu.

OUTRA VÍTIMA
Apesar de ter conseguido recuperar o aplicativo no celular, alguns conhecidos da professora foram abordados pelo autor que se passava por ela. Uns desconfiaram do comportamento e logo perceberam a farsa, mas uma amiga da docente não teve a mesma sorte.

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar (PM) no dia seguinte do golpe, a vítima de 39 anos transferiu quase R$ 1.400 para uma conta indicada pelo autor, registrada no nome de Richard dos Santos. A agência fica situada no município de Itaquera, em São Paulo.

“Eu estava conversando com essa amiga antes de tudo acontecer. Acredito que ela tenha entendido que era eu quem continuava falando. Infelizmente ela foi roubada”, explicou a professora de idiomas.

Após o ocorrido, a educadora conversou com os contatos abordados pelo criminoso e contou o que tinha acontecido. Além disso, informou a situação para a confeitaria que negou manter serviços de marketing com uma empresa de São Paulo. Também foi feita uma pesquisa com o número da ligação feita a professora. O mesmo apareceu em um link para um post de Facebook de uma padaria em Pouso Alegre de Minas. A publicação relatava que o estabelecimento havia passado pelo mesmo golpe.

SEGURANÇA
O delegado Luciano Alves dos Santos diz que sempre deve haver desconfiança quando algum desconhecido te pede para confirmar ou reenviar algum código ou senha. “Devemos ficar espertos quando se trata de algo que vá chegar em nossos celulares, principalmente quando a solicitação é de alguém que não conhecemos”.

Luciano também fala que é importante duvidar quando algum contato, mesmo que seja conhecido, manda mensagem pedindo dinheiro emprestado. Segundo ele, negociação de transferência não deve ser feita apenas por mensagem e sim por ligação.

“Liga para a pessoa e pede explicação sobre o motivo do empréstimo. Se for fraude, com certeza o autor não aceitará a ligação”.

Mesmo sem uma delegacia especializada em crimes cibernéticos, a Polícia Civil de Uberlândia trabalha para identificar autores de golpes praticados através de aplicativos. O delegado ressalta a importância de se fazer um boletim de ocorrência e apresentar os dados bancários que o criminoso ofereceu.

Diário de Uberlândia

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