Dia 15 de outubro, dia do Professor. Data para se reverenciar quem é obrigado a vencer várias batalhas por dia!

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No Brasil, cada vez menos estudantes querem seguir a carreira docente. Apenas 2,4% dos alunos de 15 anos têm interesse na profissão.

No dia 15 de outubro, data em que se celebra o Dia do Professor, ainda falta muito para se comemorar quanto à realidade da profissão, principalmente quanto à sua manutenção como objetivo futuro dos jovens e consequentemente quanto ao futuro do nosso país. No Brasil cada vez menos estudantes querem seguir a carreira docente. Hoje, apenas 2,4% dos alunos de 15 anos têm interesse na profissão. Há dez anos, o porcentual era de 7,5%. Os dados são do relatório “Políticas Eficientes para Professores”, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Segundo o estudo, a baixa atratividade da carreira se deve ao pouco reconhecimento social e aos salários. O relatório indica também que quanto menor a escolaridade dos pais, maior é a proporção dos interessados na carreira. A profissão é a escolha de 3,4% dos jovens filhos de pais que só concluíram o ensino fundamental. Entre os filhos de pais que cursaram até o ensino superior, o porcentual cai para 1,8%.

Uma pesquisa do Todos pela Educação feita em maio mostra que 49% dos professores não indicariam a docência a um jovem. Segundo o relatório da OCDE, a valorização de quem entra em sala de aula para ensinar as crianças foi o caminho trilhado pelos países que hoje têm os melhores indicadores educacionais do mundo. Tornando a carreira mais atrativa, esses sistemas conseguiram levar os melhores alunos para a profissão e, consequentemente, formaram melhores professores.

O
Brasil, no entanto, caminha na contramão desses países: quem
procura a profissão são os jovens com menor rendimento escolar. No
País, a média de quem quer ser professor é de 354 pontos em
Matemática e 382 em Leitura, no Programa Internacional de Avaliação
de Estudantes (Pisa). Do outro lado, os jovens que querem outras
carreiras que exigem ensino superior têm média de 390 e 427 pontos,
respectivamente.

“Os baixos salários e o pequeno reconhecimento social podem deter estudantes academicamente talentosos, já que eles têm opções mais lucrativas e prestigiadas”, aponta o relatório da OCDE.

A
valorização docente também depende de boa remuneração. Dados
mostram que o Brasil ainda caminha a passos lentos para chegar perto
dos melhores exemplos educacionais. O professor da rede pública
brasileira recebe, em média, cerca de R$ 38,9 mil por ano – um
terço da média dos docentes de países membros da OCDE. 

Os
salários também são mais baixos quando a comparação é feita com
profissionais com a mesma escolaridade. Relatório do Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) publicado este
mês mostra que o salário de professores da educação básica é,
em média, 25,2% mais baixo.

Por
conhecer profissões diferentes, o educador Sílvio
Augusto Miranda, que atua há 11 anos no mercado de trabalho, aponta
uma valorização ambígua da carreira. “Ao mesmo tempo que é
valorizada, é desvalorizada. É difícil chegar a uma conclusão.
Quando você fala que vai ser professor, todo mundo enaltece que é
uma profissão importante, mas, quando alunos decidem ser
professores, nem sempre os pais acham que é o melhor caminho. Então,
a sociedade acha importante, mas não tem uma valorização de
mercado”,

Além disso atualmente o professor precisa encarar vários desafios, como as condições precárias das escolas, sobretudo as públicas, como a falta de valorização do carreira do docente, rotinas desgastantes, as dificuldades de manter o aluno motivado para aprender e a necessidade de assimilar e criar condições de uso das novas tecnologias, como o celular e o tablet, considerados grandes vilões na dispersão da atenção dos alunos na sala de aula.

A
violência é outro fator que pode estar afastando o estudante da
profissão. Uma pesquisa divulgada no ano passado na plataforma OEdu,
revelou que mais de 22,6 mil docentes foram ameaçados por estudantes
e mais de 4,7 mil sofreram atentados à vida nas escolas em que
lecionam. O levantamento foi aplicado no questionário da Prova
Brasil 2015 e abrangeu 262 mil professores.

Este
mesmo estudo revelou que, a maioria dos professores (71%), o que
equivale a 183,9 mil, relatou ter sofrido agressão física e verbal
de alunos. Outros 2,3 mil docentes afirmaram que estudantes
frequentaram as aulas com armas de fogo e mais de 12 mil disseram que
havia alunos com armas brancas, como facas e canivetes.

Em
resumo, em seu dia especial, nós devemos agradecer e muito a estes
guerreiros e guerreiras que aceitam se submeter a todas essas
intempéries para que nossos filhos possam aprender não só
ensinamentos diversos, mas também como se tornarem pessoas melhores
e consciente do mundo que habitam.

Enquanto
políticos continuarem a ganhar mais que professores, num desrespeito
desumano, nosso país não irá caminhar como se deve, pois quem
trabalha todos os dias com uma responsabilidade tão grandiosa,
inclusive de formar novos e bons políticos, deveria ser tratado aqui
como é no Japão, como a única classe em que não se curva ao
Imperador, e sim, o Imperador é quem se curva quando está a frente
de um professor.

Fontes: O Estadão. Estado de Minas, Ministério da Educação 

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