Opinião: Desculpe o transtorno, estamos mudando o Brasil

Colunistas Coromandel Lucas Guirra

Nos últimos dias se instaurou uma greve nacional liderada pelos caminhoneiros, que por bravura e comprometimento com os interesses da pátria se “agigantaram”, mostrando ao governo que o Brasil não é um país de covardes, e que mesmo que já tenhamos aguentado calados uma situação política que devastou e continua devastando o país, somos capazes, se necessário for, de parar a nação.

Acreditamos que nem mesmo os caminhoneiros sabiam da força que tinham; não sabiam, assim como a maioria de nós também não, que são eles os responsáveis por proporcionar à população gozar de tudo aquilo que lhe é essencial, seja transportando matéria prima, seja transportando o produto final.

Se pararmos para pensar e observarmos ao nosso redor, é quase impossível encontrar algum item que não seja transportado por caminhões, do mais simples ao mais complexo, do mais barato ao mais caro, do menos útil ao mais essencial, quase tudo chega a nós através deles, ainda que não diretamente à nossa porta, mas que garantem nossa regular manutenção e sobrevivência.

Os caminhoneiros tomaram a iniciativa, chamaram a briga para si e com certeza, “balançaram as bases do governo”, deixando claro que não basta “bater panelas”, que o barulho por si só, embora incomode não é efetivo para a mudança. A mudança vem quando o problema é sentido na pele, quando o alimento não chega, quando o combustível acaba, quando o carro já não tem mais serventia, quando a obra é paralisada, quando a aula é suspensa, quando a viagem de férias tem que ser adiada, quando principalmente a população percebe que ela tem o poder de impor e de cobrar que a situação mude no país.

Embora a grande mídia divulgue que o objetivo do movimento é o de abaixar o preço dos combustíveis, temos que o objetivo é muito maior, não queremos apenas “diminuição de preço”, queremos um governo que ofereça ao seu cidadão e contribuinte, respeito e dignidade, que não nos imponha alta carga tributária como forma de compensar os bilhões que foram “surrupiados” pela corrupção.

A conta pela corrução é cara demais, e infelizmente pagamos por ela duas vezes, primeiro por deixarmos de gozar dos serviços púbicos, por serem desviados, recursos suficientes para manutenção da saúde, segurança, educação, habitação, infraestrutura, entre outros, e segundo, por sermos obrigados agora sem ter recebido a contrapartida do eficiente serviço público, a bancar todo o prejuízo, ficando à mercê de governos sanguessugas.

Infelizmente o cidadão brasileiro ainda não aprendeu a utilizar sua arma mais eficiente, o voto, insistindo eleição após eleição em eleger candidatos não comprometidos com o bem estar coletivo, mas apenas com interesses individuais, quais sejam, os deles próprios.

O que mais me preocupa é que a memória do brasileiro é curta, até demais, e considerando a proximidade da copa do mundo, que se inicia no próximo dia 14 de junho, temo que todo o espírito de mudança que se encontra avivado, simplesmente esmoreça, deixando novamente o brasileiro “anestesiado”.

Já encerrando, me resta agradecer aos caminhoneiros que se sacrificando em prol do país, mostraram que ainda temos esperança, que nosso povo está acordando, passando a mensagem de que “chega”, de que assim “não dá mais”, deixando claro que nós temos o poder para mudar a nação. Por fim, àqueles que reclamam e criticam o movimento, nos cabe replicar a frase que já se tornou célebre: “Desculpe o Transtorno, Estamos Mudando o Brasil”.

 

Dr. Lucas Guirra – Advogado no Escritório Valadares & Guirra Advogados em Coromandel-MG.

 

 

 

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