Coromandelenses superam entraves e se destacam entre os maiores produtores de leite do Brasil

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Custo alto e preço de venda baixo dificultaram a atividade agropecuária em Coromandel, nos últimos anos. Entretanto, superando os percalços, três coromandelenses se destacaram e aparecem, novamente, entre os principais produtores de leite do Brasil, segundo levantamento da MilkPoint, divulgado neste mês de março.

O ranking Top 100 aponta que Elísio Alves Cardoso e o grupo Agropecuária Carola e Machado são os maiores produtores de leite do município. O coromandelense Erasmo Carlos Rabelo também aparece na lista, porém centraliza sua produção em Guarda Mor.

De acordo com o levantamento, Elísio, sócio do laticínio Coronata, é o 76º maior produtor de leite do Brasil, com quase 3,9 milhões de litros em 2017.

O grupo Carola e Machado ficou de fora do Top 100, no qual figurou no ano passado, porém manteve a produtividade e retirou mais de 3,2 milhões de litros de leite no período. Deixou de figurar entre os 100 apenas pelo aumento na produção de outros produtores.

Erasmo, por sua vez, se manteve em posição de destaque, ocupando a 32ª posição no ranking, com uma produção de 6,1 milhões de litros de leite no ano.

Analisando o cenário do leite na região, Erasmo aponta o alto custo para a produção e os baixos preços praticados durante o ano, além da falta de uma política de proteção governamental ao setor como fatores que fizeram os produtores terem dificuldades em 2017.

Segundo Erasmo, “Coromandel estava, há alguns anos, no topo do ranking de produção de leite no Brasil, mas caiu demais porque surgiram outras atividades que foram mais viáveis que o setor de leite”, principalmente agrícolas, que se apresentaram mais rentáveis.

O produtor aponta que, “atualmente, o preço recebido pelo leite está abaixo do custo de produção”, levando pequenos pecuaristas a desistirem da  atividade. “Os custos aumentaram demais nos últimos dois anos e isso tem dificultado demais a vida de quem quer produzir. Esses gargalos estão impedindo o crescimento da atividade, e isso é catastrófico”, complementou.

Durante o ano passado, o Jornal de Coromandel mostrou o drama dos produtores de leite do município e região. Entre as causas, estava a importação do leite em pó de países latinos, com Argentina e Uruguai, que fizeram aumentar a oferta do produto no mercado nacional e derrubaram o preço pago ao produtor.

Diante do cenário, diversos produtores abandonaram a atividade: alguns migraram para a agricultura e outros foram buscar uma nova forma de sobrevivência.

Para Erasmo, é preciso uma política nacional de proteção ao produtor. “Nós temos, basicamente, duas saídas: investimento em tecnologia para aumentar a produtividade por animal e ter uma política de preço por parte do governo. Não é um segmento como qualquer outro, tem suas peculiaridades: é um alimento de primeira necessidade e é uma cadeia que gera e distribui renda, mesmo as pequenas propriedades geram muitos empregos”.

 

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