Grupo de pesquisa de Monte Carmelo desenvolve alface biofortificada

Em 1981, o professor Warwick Estevam  Kerr deu início ao desenvolvimento de uma nova espécie de alface. Na época, o resultado obtido foi a alface Uberlândia 10 mil, uma hortaliça que apresenta 10 mil unidades de vitamina A, enquanto as outras espécies têm entre 500 e 1.500 unidades.

Hoje, mais de 20 anos depois, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) dá sequência à pesquisa do professor Kerr, de forma ampliada. Desde 2013, os pesquisadores do Grupo de Estudos em Melhoramento Genético de Hortaliças (GEN-Hort/UFU) estão trabalhando no desenvolvimento de espécies de alface biofortificadas que sejam ricas em carotenoides e resistentes a Míldio (raças 1,2,3 e 4), Xanthomonas e Nematoides, doenças que podem atingir a plantação.

Segundo o professor Gabriel Mascarenhas, do Instituto de Ciências Agrárias da UFU e participante da pesquisa, a intenção é intensificar o melhoramento e desenvolver outros produtos. “A nossa ideia foi ampliar a pesquisa para desenvolver alface lisa, crespa e americana. É preciso chegar a um material rico em carotenoide e com saída de mercado”, explica Mascarenhas.

Para alcançar esses resultados, o grupo realiza melhoramentos genéticos a partir de procedimentos clássicos, que não envolvem técnicas de transgenia. Com esse processo, os pesquisadores já alcançaram mais de 150 tipos diferentes de genótipos, sendo que duas culturas estão cadastradas no Registro Nacional de Cultivares, do Ministério da Agricultura.

Diante desses resultados, o pesquisador afirma que uma parte do objetivo já foi alcançada: as alfaces desenvolvidas até o momento possuem cinco vezes mais carotenoides que aquelas disponíveis no mercado. Agora, o próximo passo é chegar às plantas resistentes. A próxima fase será de testes para identificar a resistência das cultivares diante das doenças, para que se chegue a alfaces que não precisem da aplicação de inseticidas.

Outra necessidade da pesquisa é chegar a um produto que seja bem integrado ao mercado. Para isso, o grupo entrou em contato com escolas de Monte Carmelo. Foi feita uma espécie de “pesquisa de mercado” com as crianças, o que, segundo o professor, permite que o programa de melhoramento genético seja conduzido em função da preferência de futuros consumidores. O resultado foi a identificação da predileção por tipos variados de alface que vão além da crespa, a predominante no mercado.

Assim, após a fase de testes, os melhores exemplares identificados serão disponibilizados para aos produtores. “A ideia futura é convidar grandes redes de fast-food e apresentar não só o acervo genético de cultivares da UFU, mas também o resultado da preferência dos jovens”, conta Mascarenhas.

Além de participar da pequisa de opinião, os estudantes das escolas de Monte Carmelo também são convidados para visitas de campo, o que, segundo a pesquisadora Ana Carolina Siquieroli, é uma forma de aprendizado. “Com este trabalho gostaríamos de divulgar para as crianças informações sobre o programa de melhoramento genético de alface, que existem cores e formas distintas daquelas que estão acostumadas, explicar a biofortificação e a importância de uma alimentação saudável”, explica. O próximo encontro acontece no dia 19/05, na Estação Experimental de Hortaliças.

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