Artigo: Os colaboradores de Allan Kardec

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Por Ernane Borges Diniz

Façamos um retrospecto. O Livro dos Espíritos foi lançado pela Livraria Dentu na Galeria de Órleans, no Palais Royal, em Paris, França, tendo como proprietária a senhora Mélannie Dentu, viúva e tendo como diretor seu filho Edouar Henri Justin Dentu.

Podemos lembrar que o jovem Edouar demonstrou má vontade e recusou-se a publicar “O Livro dos Espíritos”.  Entretanto, a senhora Mélannie, mãe de Edouar, disse ao professor Rivail que seria uma honra para eles editar o livro. Assim sendo, no dia 5 de janeiro de 1857, ao encaminhar os originais para a impressão, a senhora Dentu anotou: “Urgente e Preferencial”. Em 18 de abril de 1857, os primeiros 1.200 exemplares sairiam da Tipografia de Beau, em Saint-Germain- en-Laye, cidade vizinha a Paris. O livro rapidamente correu o mundo e criou polêmica, provocando protestos de padres e cientistas céticos, mas atraindo a atenção de outros médiuns, que entraram em contato com Allan Kardec.

Os jornais de Paris, da época, noticiaram o acontecimento. Os livreiros Didier e Ledoyen adquiriram vários pacotes de O Livro dos Espíritos, em consignação e, logo de início, foram vendidos mais de 50 volumes. Cumpre notar que “O Livro dos Espíritos”, mesmo antes de ser editado, beneficiou a senhora Dentu, tirando-a do calabouço das tristezas e  descortinando lhe a Verdadeira Vida. E, relativamente ao seu filho Edouar. “O Livro dos Espíritos” fez com que passasse a aceitar plenamente a Imortalidade da alma.

Kardec não deixou de registrar os seus profundos agradecimentos ás famílias Baudin, Roustan e Japhet, pela gentileza de oferecerem seus ambientes indispensáveis ao recebimento dos ensaios dos Espíritos por ele compendiados. E, destas famílias exemplares, Kardec destacou as meninas Caroline e Julie Baudin de 15 e 18 anos e Ruth Celine Japhet, de 20, considerando-as médiuns excelentes, responsáveis pela recepção de “O Livros dos Espíritos”. Essas meninas, pondo de lado os prazeres próprios da mocidade e sacrificando horas de estudos e afazeres domésticos, prestaram-se, durante mais de um ano, com o máximo desinteresse material e a melhor dedicação espiritual, ao fatigante uso de seus dotes mediúnicos.

Para Rivail, a revisão com Ruth Japhet era necessária, primeiro, por causa da dificuldade em se entender o que os espíritos diziam. Segundo, porque, para ele, os espíritos não eram donos de toda a sabedoria do Universo. “Um dos primeiros resultados das minhas observações foi que os espíritos, não sendo senão as almas dos homens, não tinham nem a soberana sabedoria nem a soberana ciência; que seu saber era limitado ao grau de adiantamento; e que a opinião deles não tinha senão o valor de uma opinião pessoal”, escreveu ele em O Livro dos Médiuns.

O Codificador, referindo-se às aludidas meninas médiuns assim se expressou: “Devo à mediunidade de Caroline e Julie Baudin a essência dos ensinos espíritas contidos em ”O Livro dos Espíritos” e à mediunidade de Ruth Celine os esclarecimentos complementares que permitiram acertar alguns pontos”. Também, outros médiuns valorosos, colaboraram com o mestre Kardec, destacando-se: Sr. Japhet médium intuitivo; Sr. Roustan médium intuitivo; Sra. Canu médium sonâmbula inconsciente; Sr. Canu médium falante (psicofonia); Sra. Leclercq médium falante e vidente; Srta. Aline Carlotti médium falante e psicógrafo; Sra., Plainemaison médium auditiva e Sra. Roger médium clarividente.

Graças às colaborações desses médiuns, Allan Kardec, chegando à realidade dos fatos, proclamou: “Eu tinha diante dos olhos, jorrada de repente, a minha estrada de Damasco, a Luz Fulgurante da Verdade. E a Verdade, em plena luz,pareceu chamar-me pelo nome, como fez a Paulo, e por isso, em meu Espírito, eu lhe respondi: Presente!”.

Nesta data memorável, Kardec apanhou um caderno, com o título de “Memórias” e principiou a escrever: “Hoje, finalmente, 18 de abril de 1857, posso dizer que lancei a público o trabalho mais importante da minha vida pelo enorme benefício que espalhará…”.

Fonte: RIE

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