Prefeito Osmar fala sobre derrota nas urnas, demissões em massa e futuro político

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Danilo Gonçalo, de Coromandel

Sem qualquer resistência às questões apresentadas, o prefeito de Coromandel, Osmar Martins Borges, o Gambá (PR), concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal de Coromandel, na tarde desta quarta-feira (5), na qual fala sobre a derrota nas urnas, a confusão na qual se envolveu após o período de votação, as demissões que se seguiram às eleições e sobre seu futuro. Apesar das polêmicas, garante que vai seguir na política coromandelense.

O assunto mais ‘quente’ nas ruas e redes sociais de Coromandel, a exoneração de mais de 400 pessoas (já realizadas ou em andamento), não abalou o espírito de Osmar, que justifica a medida como necessária para manter as contas em dia e entregar a Prefeitura sem dívidas para Dione Maria Peres (PMDB), que venceu a disputa no último domingo (2).

“Tive que demitir todos os contratados, independente de questões partidárias ou de ter votado em mim. Tive que exonerar metade dos secretários e pode ser que tenha que exonerar mais um pouco”, declarou Osmar. “Eu sou obrigado a agir dessa forma porque, como prefeito, um administrador público, eu estou sujeito à Lei de Responsabilidade Fiscal. Tenho que entregar a Prefeitura em 1º de janeiro aos futuros mandatários da cidade com todas as contas em dia”, acrescentou.

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Dentre os exonerados estão três secretários: Freude Franco Marra (Governo), Luís Carlos Rodrigues Pereira (Comunicação e Cultura), Sebastião Casemiro (Assistência Social). De férias, Rubens Lucas Teixeira, das Pastas de Agricultura e Meio Ambiente, apresentou o pedido de demissão, que deverá ser aceito e se tornar o quarto a sair. Outros nomes são cogitados.

O prefeito afirmou ainda que os cortes já estavam planejados, para aliviar a folha de pagamento, que consumia 47% dos recursos do município. “Todo ano a gente reduz em um ou outro lugar para reduzir a folha de pagamento, dessa vez teve que ser mais drástico porque eu tenho que entregar a Prefeitura enxuta em janeiro”.

O impacto dessa decisão, que afetou inclusive pessoas próximas e colaboradores de campanha, em sua imagem e futuro político foi minimizado por Osmar. “A pessoa que for inteligente vai entender a posição do prefeito. Evidentemente as pessoas saem magoadas, porque dependem do rendimento para se manter, mas se tiver um pouco de bom senso irá entender”.

Além da dispensa de funcionários, Osmar cortou o auxílio que a Prefeitura concedia aos estudantes universitários, demitiu médicos especialistas, cancelou subvenções a entidades sociais. Contrariando boatos, negou ter eliminado o transporte de pacientes para fora do município. “Está em dia”.

Apesar de a demissão em massa e dos cortes levantarem suspeitas sobre a saúde financeira do município, Osmar diz que a Prefeitura não está necessariamente sem dinheiro. “A situação é boa. A Prefeitura de Coromandel é uma das poucas que está em dia com seus pagamentos”.

Veja outros pontos da entrevista:

Por que fechar a AABB Comunidade a poucos dias do fim do ano letivo?

Nós remanejamos as pessoas, alguns alunos precisavam realmente. Lá continua funcionando, mas sem as condições de antes. Lá só tem duas funcionárias.

Fechou creches também?

As creches estão funcionando normalmente. O que fiz foi tirar os contratados e realocar o pessoal efetivo, para manter funcionando. Evidentemente não terá a mesma qualidade de antes, mas todas estão atendendo.

As demissões na Prefeitura afetam o comércio…

Concordo, afeta mesmo. Por isso nós mantivemos esse pessoal por mais tempo na Prefeitura, e pagamos em dia. Mas depois da eleição nós só temos três meses para arrumar a casa. Tenho que pensar na Prefeitura, no município e ‘fechar as torneiras’. Um empresário, um administrador vai pensar dessa forma também.

Você acha que foi fácil eu demitir várias pessoas que trabalharam comigo na campanha? Que estão há três anos e meio comigo? Que são meus amigos pessoais? Alguns me abraçaram, chorando, e falaram que entendiam meu lado. O coração do Osmar, mas o administrador tem que fazer o serviço.

Com os cortes de pessoal e verba, como fica a continuidade das obras?

Como são frutos de emenda parlamentar e de convênios, não tem nada a ver com os cortes da Prefeitura. Já estão licitadas e as empresas contratadas vão continuar tocando as obras. Vamos inaugurar a ETE, as duas creches-escolas, uma quadra poliesportiva até o final do ano. O dinheiro vem dos governos estadual e federal, não vai ter problema nenhum.

Inclusive nós vamos asfaltar uma rua que nós abrimos ali próximo ao ginásio do bairro Piteiras. A Cohab, por exemplo, vamos terminar de asfaltar, deixar 100%. O dinheiro para isso está chegando. Não tem porque parar obras.

Pretende contribuir de alguma forma com a transição de mandatos?

O que a lei mandar eu vou fazer. Sou prefeito até 31 de dezembro. O que estiver na Lei, nós vamos seguir.

O que você tira de positivo desse seu mandato?

Vou sair daqui sendo um cara mais maduro, moderado nas atitudes. Sou um cara trabalhador, que gosta muito de Coromandel. Aprendi muito no dia a dia, com as pessoas que trabalham com a gente, com os deputados que conheci. Vou sair de cabeça erguida. Não vou dizer que sou o melhor prefeito que Coromandel já teve, mas estou entre os que mais fizeram pelo município.

ELEIÇÃO

Qual foi o grande erro dessa eleição?

Pelas pesquisas que tínhamos em mãos, o cenário estava bom para nós. E por estar na frente, você acaba mudando a estratégia. Até na quinta-feira acho que a campanha estava bem redondinha, a partir daí começou a dar uma desandada. Nós erramos em pontos cruciais, erramos no fim.

O resultado surpreendeu?

Pela quantidade de votos, não. A eleição em Coromandel sempre foi apertada. Eu imaginava que ganharíamos com menos de mil da adversária, mas infelizmente aconteceu o contrário. Infelizmente a cidade está dividida.

Já contava com a vitória? Estava realmente preparando uma festa?

Quem me conhece sabe que a resposta é não. Claro que a gente falava que, se ganhasse, faríamos uma festa no Parque de Exposição, porque nós nos preparamos para comemorar na expectativa de vencer as eleições. Evidentemente que, no meio da campanha, eu achava que ia ganhar, jamais pensei em perder. A ideia de todo candidato é vencer as eleições.

Ficou decepcionado com o resultado?

Não, pelo contrário! Primeiro eu quero agradecer as pessoas que votaram em mim, os 7.708 votos. Fico muito contente por essas pessoas acreditarem no meu trabalho como prefeito, na gestão que eu fiz de 2013 a 2016, que na minha avaliação foi uma boa administração, que realmente mudou a cara de Coromandel. Fizemos várias obras no município. Acredito que vai ser difícil alguém fazer o que nós fizemos aqui nesses quatro anos de mandato. E tenho certeza que, daqui a quatro anos terá mais.

Se arrependeu de alguma ação durante a campanha? Algo que possa ter atrapalhado sua vitória?

Não. Quem me conhece sabe que eu sou dessa forma, ajo com o coração. Nunca estou sozinho, Deus está comigo, então jamais irei me arrepender do que fiz. Vou me arrepender do que deixei de fazer.

Então deixou de fazer alguma coisa e está arrependido?

Talvez na sexta-feira e no sábado poderíamos ter sido mais efetivos em alguns pontos, mas acho que a democracia foi feita para isso. A parte que escolheu ela foi maior. Eleição é um jogo, e daqui a quatro anos vamos jogar de novo.

Ligou para os adversários após o fim da apuração?

Claro, até porque a democracia é assim. Na segunda-feira liguei para a prefeita eleita Dione, dei os parabéns a ela. Liguei também para o vice-prefeito eleito Juninho Nacif, dando os parabéns também. A democracia é como um jogo e eu faço parte dele, então não tem porque não ligar. A partir de janeiro os dois vão comandar Coromandel.

CONFUSÃO (saiba mais)

Foi ao local da festa da vitória de Dione por provocação?

Não! Essa história é muito simples: eu estava na minha irmã e, ao sair, subi para fazer o balão e passei pela avenida [Israel Pinheiro, onde a população comemorava o resultado das urnas] e encontrei um amigo meu, o Marcelo. Ele abanou a mão para mim, eu respondi e fui agarrar na mão dele. Um cidadão, que não vou citar o nome, veio e cuspiu no meu rosto. Aí eu parei [o carro] para brigar com ele, mesmo. Fui agredir ele. No que eu desci do carro as pessoas vieram para cima de mim.

É bom até acrescentar que algumas pessoas que me fizeram passar raiva durante a campanha, me protegeram nessa situação. Se não fossem eles, o pessoal teria me batido bastante. Mas não fui lá para provocar ninguém, não sou de provocar.

Algumas pessoas me xingam no Facebook e eu nem respondo.

Em grupos do Whatsapp surgiram boatos de que a confusão começou após uma agressão a uma mulher…

Deixa eu falar para você: lá filmaram tudo o que aconteceu. É só pegar as filmagens. Eu não agredi uma mulher. Nunca fiz e não faria agora. Essa mulher que estão falando me ‘bateu’ durante os quatro anos de mandato, na campanha inteira. Eu nunca respondi ela. Não justifica agora eu ter dado um tapa nela. E se tivesse feito, alguém com certeza teria filmado.

Filmaram desde a hora que eu cheguei de carro lá. Filmaram na delegacia, entrando no carro da polícia. Cada passo foi filmado.

Se arrepende de ter ido até a festa da adversária?

Eu nem sabia que iria passar lá. É claro que eu não quero confusão, mas eu ‘cai’ lá. Meu erro talvez tenha sido cumprimentar o rapaz, mas foi por educação.

O episódio prejudica seu futuro político?

Acredito que não. Todo mundo me conhece. Já joguei futebol, briguei no ginásio. Duvido alguém que nunca brigou na vida, que nunca deu um tapa em alguém. As pessoas sabem separar a questão política do pessoal, o Osmar comum do Osmar prefeito.

FUTURO

Qual foi o seu legado para Coromandel?

O grande legado foi mostrar para a população tudo o que nós fizemos: o Vale do Sol, a obra da Estação de Tratamento de Esgoto (nós vamos tentar terminar a ETE, porque os emissários nós já concluímos). Até o fim do mandato vamos entregar duas UBSs, duas creches-escolas. A zona rural toda recebeu benefícios. Então Coromandel realmente mudou de cara. Foram várias obras em benefício da população. E a Saúde, que está muito, muito melhor que na gestão anterior.

Se pretende voltar daqui a quatro anos, será como candidato a prefeito?

Daqui a quatro anos tem o jogo de novo, eu vou entrar para jogar. Não sei se serei prefeito, vice ou coordenador de alguma campanha, mas o político jamais sai do jogo. Além de mim, há vários parceiros no meu grupo que também pretende ser prefeito um dia, não tem necessariamente que ser eu. Estaremos na luta para que esse grupo possa voltar à Prefeitura de Coromandel.

Como ficou o sonho de crescer na política, ser deputado estadual?

O sonho para deputado congelou. Eu queria usar o argumento de que fui prefeito por dois mandatos, não “o Osmar foi derrotado”. A estrutura hoje não está favorável como estaria em 2022.

Seu projeto era para tentar ser deputado em 2022? Não pretendia sair no meio do mandato, se fosse reeleito?

Era para 2022. E, não [iria abandonar o mandato]. Eu era muito claro nos comícios: se for eleito em 2016, jamais me candidatarei a prefeito ou vereador novamente. Como não fui eleito, tenho que refazer o planejamento.

Qual lição você tira dessa derrota?

Em primeiro lugar vou dizer que não foi uma derrota. Só me afastaram por quatro anos do setor público. E há derrotas que trazem coisas melhores. Talvez não fosse a hora e Deus não quisesse que eu assumisse a Prefeitura em 2017… Talvez Ele vá me dar outra oportunidade. A vida continua.

 

 

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