Coluna Coromandel Espírita: Questões sobre Saúde e Doença

Colunistas Coromandel Espírita

Por Ernane Borges

1- O que a doutrina espírita tem a nos acrescentar na compreensão da enfermidade?

A doença é um fenômeno que, juntamente com a morte, é visto como um fracasso das leis biológicas que nos governam. Entendida como obra do acaso, somente nos traria prejuízos e dores injustificáveis; mas de um ponto de vista espírita, passamos a compreender que a doença cumpre uma finalidade no correr da vida, onde nada existe por obra do acaso e sem um objetivo a cumprir. Assim como a desencarnação, a enfermidade também é ferramenta da evolução, necessária nas etapas inferiores da existência, que tem na dor um guia para a aquisição dos patrimônios genuínos da divindade que existem em nós.

2- Como podemos compreender melhor essa função da enfermidade no correr da vida?

Consideremos que adoecemos de duas maneiras diferentes: de fora para dentro, doenças exógenas ou de dentro para fora, doenças endógenas. A enfermidade exógena é de fácil compreensão. São consequências dos danos a que expomos nossa organização biológica submetendo-a a condições inadequadas de vida, por alimentação inadequada, em excesso ou em falta, por ingestão de tóxicos os mais diversos, como bebidas alcoólicas e cigarro, ou por vivermos condições precárias de higiene. Essas doenças, não são na verdade enfermidades, mas “acidentes” biológicos, a que nos expomos por desejo ou involuntariamente.

Essas enfermidades são chamadas pelo Espírito André Luiz de “dor evolução”, por serem decorrentes dessas condições involutivas do planeta e trazem a função de nos impulsionar ao progresso.

As doenças endógenas (de dentro para fora), no entanto, são de difícil entendimento de um ponto de vista materialista, porque suas causas remontam ao espírito/alma. Representam as enfermidades naturais de nossa espécie, cujas origens imediatas escapam a compreensão da nossa Medicina. São as doenças que não se explicam por si mesmas. Por vezes, a Medicina julga encontrar a origem delas em determinada alteração celular, ou mesmo molecular, mas trata-se de uma causa aparente, pois poderemos questionar ainda a razão de tais alterações. Por exemplo, a quantos padecimentos a serotonina não está sendo responsabilizada atualmente? Temos depressões horríveis por causa dela, engordamos por causa dela, morremos de dores de cabeça, ainda por causa dela. Será tão poderosa assim uma molécula, capaz de nos fazer sofrer injustamente? Naturalmente que deve haver algo errado nesse tipo de explicação. A serotonina não é causa, mas consequência de uma perturbação prévia que somente podemos imputar ao próprio espírito, para atender a nossa lógica espírita.

O Espiritismo nos ensina que nosso corpo não é um amontoado casual de células que se organizam por si mesmos, mas é construção de uma consciência espiritual eterna, que se utiliza ainda uma estrutura de natureza energética, o perispírito, para confeccioná-lo segundo os seus objetivos. Esse corpo perispiritual, que acompanha o espírito após a morte, estabelece um campo organizador e mantenedor da forma, sendo ainda responsável por todos os fenômenos físico-químicos da natureza orgânica. Dentro dessa organização ternária (espírito, perispírito e corpo físico) é que devemos compreender o fenômeno de enfermidade e não somente do ponto de vista do corpo físico, a unidade passiva e campo de efeitos e não de causas.

O espírito sendo o diretor dessa unidade, presidindo todos os fenômenos biológicos da unidade física, é diretamente responsável pela sua manutenção e, portanto, senhor absoluto da saúde e da doença. Justo é considerarmos a relevância dessas duas unidades superiores no fenômeno da enfermidade.

A doença forçosamente deve “iniciar-se no espírito, sendo acalentada no perispírito para se concretizar no corpo físico”. Assim como as células físicas se organizam sob seu comando, elas também se desorganizam quando esse comando se encontra por sua vez, desorganizado.

É muito interessante considerar o fenômeno sob esse ângulo, pois ele o torna mais lógico. A alteração celular ou molecular estaria assim obedecendo a um padrão vibratório alterado desse campo biomagnético que é o perispírito. Assim podemos compreender como a doença pode vir de dentro de nós. São nichos fluídicos no dizer de nossos amigos espirituais. Eles farão nossas células alterarem suas sínteses proteicas ou hormonais, promoverão crescimentos inadequados, desorganizarão códigos genéticos, desviarão impulsos e adulterarão mensagens nos mais diversos rincões do organismo, gerando as mais diversas enfermidades, de toda e qualquer natureza: diabetes, alergias, arteriosclerose, câncer, enxaqueca, gota, depressão, reumatismo, sinusite, etc.

Mas é importante considerarmos que esse processo cumpre com uma finalidade. Ele tem uma intenção curativa. À medida que o perispírito irradia sua alteração biomagnética para o corpo físico, ele assim o faz na intenção de se livrar dele, portanto, de curar-se. E ainda entendemos que o corpo físico tem uma peculiar capacidade de absorver em suas células as alterações vibratórias que contaminam as delicadas malhas perispirituais. Assim é que lemos em André Luiz, na psicografia de Chico Xavier, que o corpo funciona como um vaso divino, um carvão milagroso filtrando as mazelas que trazemos na alma. Trata-se, portanto de um projeto de cura e adoecer o corpo físico é sanar os males de nosso espírito, são palavras do autor espiritual. O que achamos ser um mal por si mesmo é um veículo de solução que a providência divina determina para nos curar, para retirar de nossa intimidade uma espécie de pestilência vibratória que trazemos.

É fácil e lógico compreendermos que somos nós mesmos que lesamos nosso perispírito, com nossos pensamentos, sentimentos e ações adulteradas diante das leis divinas. Nos seres responsáveis uma lei age com detalhes, vigiando-nos as ações, determinando que todo mal que praticamos em favor de outrem resultem em nosso próprio dano. Nossos espíritos na verdade são dínamos geradores de energias que podem gerar energias boas ou más, segundo nossas intenções. Quando nos dispomos ao mal, seja em pensamentos ou ações, produzimos energias de qualidades más, ou seja, destrutivas, que podem danificar os outros, mas igualmente nos lesam a unidade perispiritual. Permanecem como nódoas em nosso perispírito e uma vez absorvidas pelo corpo físico, promovem em nós a mesma maldade que as originou. Essa é lei de ação e reação, o próprio princípio do carma que nos faz sofrer o mesmo mal praticado ou mesmo intencionado. Portanto a causa verdadeira de toda e qualquer enfermidade é a nossa maldade, nossas ações contrárias a essa lei maior do cosmo, que é a Lei do Amor.

As doenças endógenas são então veículos da lei e por isto André Luiz as chama de dor expiação.

A saúde do corpo somente será conquistada como reflexo da saúde do espírito. Enquanto a saúde for somente um produto do corpo, será temporária. Por isso o apóstolo Pedro nos dizia que “somente o bem cobre a multidão de nossos males”.

 

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